Mindset positivo e cultura da tua empresa: são ou não conciliáveis?

Quantas vezes já te deu vontade de atirar a toalha ao chão e desatar a correr com vontade de procurar um novo projeto profissional, porque não te identificas com o atual? Parecia perfeito no início, mas…

E quantas vezes já ouviste, leste, ou até tiveste formação em mindset positivo, capital psicológico, otimismo ou mudança? Decerto aprendeste que a mudança começa em ti e que o pensamento positivo é fulcral para desbloqueares algumas crenças limitantes e chegares à melhor versão de ti próprio. Esta tua versão, por sua vez, potenciará o trabalho de equipa e resultados organizacionais, o que é muito valiosa para todos!

Bem… Eu não sei se já aconteceu contigo, mas comigo já aconteceu várias vezes, e, devo confessar que já me trouxe alguma frustração. Se, por um lado estava 100% determinada para uma mudança de mindset e uma aplicação de novas ferramentas de desenvolvimento pessoal e liderança, por outro lado a falta de identificação com o processo de tomada de decisão e cultura da organização em que estava deitavam por terra toda essa determinação.

Se já te aconteceu viveres este paradoxo, não desistas! Parece-me que isto acontece porque nesta experiência estás a competir entre a tua melhor versão de ti mesmo, e os teus valores. E também me parece que só conseguirás atingir a melhor versão de ti mesmo quando estiveres em perfeita sintonia com os teus valores, o que por sua vez acontece quando atuas num ambiente que propicie a vivência e expressão dos mesmos.

Ora, no meu caso, frequentemente entrava em conflito interno por viver situações de conflito direto com os meus valores, mesmo que de uma forma inconsciente. Já te aconteceu queixares-te de injustiça ou de falta de transparência ou, até de falta de sofisticação? Se sim, é mais ou menos disso que estou a falar. E se sim, não desanimes! Há, pelo menos, mais um ser a quem isso já aconteceu. Mas também não penses que, afinal, o problema está nos outros!

Decididamente as pessoas não são perfeitas e, consequentemente as empresas também não o são! A cultura de uma organização advém da sua história, combinada com uma série de outros fatores ambientais, como a localização geográfica, o setor, a dimensão, a estrutura, entre tantos outros. A cultura não é como a constituição que, depois de redigida, é para ser seguida. A cultura, pelo contrário, é dinâmica, é gerida por uma matriz de valores informais e formais. Os valores informais são expressos no dia-a-dia da organização e enfatizam o mais relevante para a comunidade de trabalhadores. Os valores formais, por sua vez, são a melhor versão da própria empresa, e, portanto, reflexo da melhor versão de todos os colaboradores em simultâneo.

Naturalmente, nem todos os trabalhadores estão todos os dias na melhor versão de si próprios e, por isso, ter uma cultura organizacional assente nos valores formais da empresa, é quase como ter uma foto no instagram, que só é publicada depois de levar alguns filtros. Por isso, sim, é verdade que se estiveres disposto a mudar de mindset e, sobretudo, a influenciar positivamente os que te rodeiam, talvez possas superar esse conflito. Em contrapartida, se a manutenção da matriz de valores informais da organização e, consequentemente, da cultura da organização te trouxer mais conflito que determinação para com o processo de mudança, então esta informação é preciosa para ti!

Não penses que é preciosa porque tu estás bem e os outros estão mal! Antes pelo contrário… Se a manutenção desse estado de conflito se mantiver, provavelmente és tu quem está mal! E mesmo que haja colegas com quem te identifiques e que possam partilhar esse estado emocional negativo ou, até, alimentar esse teu conflito interno, a verdade é que para que a cultura da empresa se mantenha é necessário que a maioria dos colaboradores contribua para a sua cultura e valores informais. Para que a cultura da empresa mude, é necessário que haja uma estratégia clara e suportada pela gestão de topo, que traz resultados graduais. Se não existir essa estratégia ou, se por outro lado, não estiveres disposto a esperar por considerares que estás a perder oportunidades de progressão, então, és tu quem está mal nessa equação e não os outros.

Então o que fazer com esta informação? A minha sugestão é que comeces por analisá-la. O que sentes? Como, quando e porque sentes? Como o expressas? Como te posicionas face a esse sentimento? Já percebeste? Se sim, é hora, então de te responsabilizares pela tua carreira! Agradece a esta empresa que te deu a oportunidade de, além de aprenderes tecnicamente, dares um grande salto no teu desenvolvimento pessoal, permitindo-te que vás à procura de uma carreira intencional!

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